Em um mundo cada vez mais digitalizado, onde a tecnologia promete nos conectar e facilitar nossas interações, estamos enfrentando um paradoxo: a solidão em meio à hiperconectividade. Essa foi a reflexão central da palestra de abertura de expert em relações sociais, Kasley Killam, durante o SXSW 2025, em Austin (USA).
A necessidade humana de se conectar com outros indivíduos é inata. Há quinze anos, admitir que se fazia terapia era um tabu. Hoje, cuidar da saúde mental é um ato de autoconsciência e responsabilidade. No entanto, paradoxalmente, mesmo com mais acesso à informação e reconhecimento da importância do bem-estar emocional, muitas pessoas se isolam.
O fenômeno do enclausuramento digital, impulsionado por dispositivos e plataformas, criou uma falsa sensação de interação, mas sem o calor humano essencial para uma convivência plena.
Enquanto isso, avanços tecnológicos tentam substituir as relações reais. Aplicativos, inteligência artificial e até assistentes virtuais buscam preencher lacunas emocionais, oferecendo uma companhia projetada para atender às expectativas do usuário. Porém, até que ponto essa interação artificial pode substituir o contato humano genuíno?
No ambiente corporativo, essa discussão é ainda mais relevante. Muitas empresas estão criando cargos voltados para a convivência e o bem-estar dos colaboradores, com profissionais dedicados a garantir que as equipes trabalhem em harmonia. É um reconhecimento de que funcionários felizes são mais produtivos e engajados, e que a qualidade das relações interpessoais impacta diretamente os resultados da organização.
Para nós, do Grupo Mulheres Em Facilities e Corporate Real Estate, esse tema é especialmente significativo. Os eventos presenciais, as trocas de experiências e o networking são fundamentais não apenas para o crescimento profissional, mas também para a construção de uma comunidade de apoio e aprendizado.
No setor, onde a gestão de espaços e a otimização de ambientes são cruciais, a conexão entre as pessoas é um dos pilares para um ambiente de trabalho mais humano e eficiente. Como moldaremos as relações do futuro? Precisamos relembrar que a convivência social é um fator essencial para a saúde mental e para o crescimento pessoal e profissional.
A sabedoria africana já dizia que “é preciso uma aldeia inteira para criar uma criança”. Da mesma forma, é preciso uma rede de relações sólidas para construir um ambiente de trabalho saudável e produtivo.
O convite está feito: vamos sair do digital e fortalecer laços reais?